Poesia · ilustração · música · FTD · 2024

Desembarcados

Texto de Guilherme Gontijo Flores
Ilustrações e projeto gráfico de Daniel Kondo
Poemas musicados por Carol Naine

Uma arca atravessa a história carregando ausências. Dodô, mamute, preguiça-gigante, lobo-da-tasmânia, Neandertal e outras vidas desaparecidas reaparecem em poesia, imagem e música.

Capa brasileira de Desembarcados, de Guilherme Gontijo Flores e Daniel Kondo, publicado pela FTD
Desembarcados · Guilherme Gontijo Flores + Daniel Kondo · poemas musicados por Carol Naine · FTD · 2024

A Arca de Zoé

Uma arca para os que ficaram pelo caminho.

Uma avó conta à neta Zoé uma história sobre a conhecida Arca de Noé e os animais que atravessaram o dilúvio.

A narrativa então volta seu olhar para aqueles que foram desaparecendo ao longo do tempo: espécies extintas, populações quase apagadas e seres cuja permanência continua ameaçada.

Cada animal recebe um poema próprio. Humor, rima, repetição, referências culturais e jogos verbais convivem com a gravidade daquilo que está sendo contado.

A sequência percorre milhares de anos até alcançar espécies contemporâneas, aproximando história natural, presença humana e crise ambiental.

Poesia em movimento

O ritmo muda à medida que a arca avança.

Guilherme Gontijo Flores trabalha formas poéticas distintas ao longo do livro. Métrica, rima, repetição, fala, espacialização e poesia visual reorganizam continuamente a leitura.

01

Rima

Os primeiros poemas estabelecem estruturas sonoras reconhecíveis, criando impulso e memória pela repetição das palavras.

02

Espaço

A disposição dos versos acompanha formas, corpos e movimentos, usando a página como extensão da construção poética.

03

Dissolução

A estrutura progressivamente se abre. No poema dos vaga-lumes, letras e palavras passam a existir como pontos de luz na escuridão.

Poema visual dos vaga-lumes em Desembarcados
Vaga-lumes — texto, silêncio e pontos de luz ocupam a dupla.

Até a palavra quase desaparecer.

O percurso formal do livro acompanha seu tema. As formas poéticas se modificam enquanto as espécies apresentadas se aproximam do presente.

No poema dedicado aos vaga-lumes, a noite ocupa quase toda a superfície. Letras isoladas flutuam como pequenos focos luminosos.

A página transforma a fragilidade da espécie em ritmo de leitura.

Narrativa visual

Fragmentos suficientes para reconhecer uma vida.

As ilustrações trabalham com grandes formas geométricas, texturas e áreas cromáticas. Olho, boca, cauda, chifre ou silhueta podem ocupar uma dupla inteira. A escala conduz a identificação de cada animal.

Poemas musicados

Carol Naine

Cada poema também possui uma vida sonora.

Carol Naine compôs e interpreta as músicas criadas a partir dos poemas de Guilherme Gontijo Flores. Os áudios podem ser acessados pelo QR code da edição, acrescentando voz, melodia, tempo e repetição à experiência do livro.

Palavra impressa, imagem e canção percorrem o mesmo conjunto de espécies por ritmos diferentes.

Reconhecimento

Bolonha e FNLIJ.

Em 2025, o livro recebeu reconhecimento internacional da Bologna Children’s Book Fair e integrou a seleção Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

150 títulos selecionados
BRAW Amazing Bookshelf 2025

Uma das “publishing gems” escolhidas pelo júri de Bolonha.

A Bologna Children’s Book Fair recebeu 3.858 títulos de 68 países e regiões para o BolognaRagazzi Awards 2025.

A BRAW Amazing Bookshelf reuniu 150 obras que chamaram a atenção dos júris internacionais. Desembarcados aparece no catálogo oficial como o título nº 35.

O livro integrou a exposição da feira realizada em Bolonha entre 31 de março e 3 de abril de 2025.

Bologna Children’s Book Fair ↗

Fortuna crítica

Extinção tratada como experiência poética.

Folha de S.Paulo · Era Outra Vez

Arte em tempos de devastação.

13 setembro 2024

A coluna Era Outra Vez situa o livro no contexto das queimadas que atravessavam o Brasil e chama atenção para a capacidade da arte de responder a momentos de crise.

“Desembarcados” mostra “o potencial da arte em momentos de horror”.

A leitura acompanha também a transformação formal dos poemas: estruturas metrificadas e rimas marcadas se tornam progressivamente mais abertas, culminando na poesia visual dedicada aos vaga-lumes.

Ler na Folha ↗

Reset · UOL · ESG Vem de Berço

Paula de Santis

19 julho 2025

“Um álbum de uma grande família desmembrada, com pitadas de esperança.”

Paula de Santis percorre os animais apresentados no livro, observando a relação direta entre desaparecimento, ação humana e memória.

A crítica dedica atenção particular às ilustrações: elementos geométricos sugerem os corpos sem precisar descrevê-los integralmente. A boca do tigre-dente-de-sabre ocupa a dupla e incorpora o próprio espaço físico do livro à imagem.

A ararinha-azul e a mensagem final lançada à água introduzem uma possibilidade de permanência dentro de uma sequência marcada pelas perdas.

Ler no Reset ↗

PublishNews

Uma unidade entre palavra, imagem e projeto.

9 outubro 2024

Na cobertura da participação brasileira no FÓLIO 2024, o PublishNews destaca a integração construída entre poemas, ilustrações e projeto gráfico.

O texto observa que essas camadas ampliam os sentidos da palavra e tornam a experiência estética parte da reflexão sobre biodiversidade e preservação.

PublishNews ↗

Circulação internacional

FÓLIO · Óbidos · Portugal.

2024 Festival Literário
Internacional de Óbidos

Livro, música e encontros com leitores.

A FTD levou Desembarcados ao FÓLIO 2024, em Portugal. Daniel Kondo e Carol Naine apresentaram o projeto em atividades do FÓLIO Educa com estudantes de escolas de Óbidos.

O programa oficial incluiu também uma apresentação de Desembarcados no FÓLIO Ilustra para famílias e público geral, reunindo leitura, imagens e música ao vivo.

Programa oficial FÓLIO 2024 ↗

Antes da publicação

O dodô já existia quando o livro ainda era um projeto.

Em entrevista à revista acadêmica Miscelânea: Revista de Literatura e Vida Social, Guilherme Gontijo Flores falou em 2023 sobre um poema ainda inédito dedicado ao dodô.

O texto fazia parte de um projeto então em desenvolvimento chamado Desembarcados, novamente em parceria com Daniel Kondo depois de A Mancha.

O registro permite acompanhar a obra antes de sua forma final e mostra que a investigação sobre extinção, poesia e imagem já estava presente no processo de criação.

Miscelânea · UNESP ↗

Imprensa & mídia

Leituras, conversa e música.

Ficha técnica

Edição brasileira.

Título
Desembarcados
Texto
Guilherme Gontijo Flores
Ilustrações
Daniel Kondo
Projeto gráfico
Daniel Kondo
Poemas musicados por
Carol Naine
Editora
FTD
Publicação
2024
Gênero
Poesia
Páginas
40
Formato
20,5 × 27,5 cm
Encadernação
Brochura
Faixa editorial
A partir de 12 anos
Coleção
No Meio do Caminho
ISBN
978-85-9604-176-8

Livro & arquivo

Edição, leitura e documentação.

Desembarcados

Toda arca também guarda a memória de quem ficou de fora.

Guilherme Gontijo Flores, Daniel Kondo e Carol Naine constroem uma sequência em que poesia, imagem e música percorrem as marcas deixadas pelas extinções. Cada animal retorna por alguns instantes ao espaço da leitura.

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