Poesia visual · Alfabeto · Linguagem · Reco-Reco · 2024

ABCXYZ

De Sérgio Rodrigues e Daniel Kondo
Texto de Sérgio Rodrigues
Ilustrações e concepção visual de Daniel Kondo

Vinte e seis letras como regras de jogo. Palavra vira som, letra vira desenho e o alfabeto deixa de ordenar o mundo para começar a bagunçá-lo.

ABCXYZ, de Sérgio Rodrigues e Daniel Kondo, edição brasileira da Reco-Reco
ABCXYZ · Sérgio Rodrigues + Daniel Kondo · Reco-Reco · Brasil · 2024

O livro

Um abecedário que usa a regra para produzir liberdade.

Em ABCXYZ, cada letra do alfabeto impõe uma restrição. Na página do E, todas as palavras começam com E. No B, todas começam com B. E assim sucessivamente.

Sérgio Rodrigues explora aliterações, assonâncias, trava-línguas, desvios ortográficos, ambiguidades e o puro prazer sonoro da língua portuguesa.

Daniel Kondo responde à mesma regra visualmente: as letras são ampliadas, partidas, repetidas, invertidas e reorganizadas até deixarem de ser apenas caracteres tipográficos para se tornarem imagem.

O resultado aproxima literatura infantil, poesia concreta e os jogos de restrição da Oulipo sem transformar essas referências em pré-requisito para a leitura. A sofisticação está na estrutura; a experiência permanece direta, lúdica e aberta.

A regra do jogo

Uma letra. Um som. Uma imagem. Vinte e seis experiências.

Cada dupla nasce de uma restrição verbal e encontra uma solução gráfica diferente. Não existe fórmula visual que se repita de A a Z.

A

Letra como desenho

A forma tipográfica deixa de ser neutra. Repetida e ampliada, pode virar asa, montanha, corpo ou estrutura.

B

Palavra como som

Aliterações e onomatopeias convidam a leitura em voz alta. O texto existe tanto no ouvido quanto no papel.

XYZ

Regra como invenção

Quanto mais difícil a letra, maior a necessidade de torcer a linguagem, explorar outras origens vocabulares e inventar caminhos.

O livro por dentro

O alfabeto como matéria gráfica.

Fortuna crítica

Palavras brincam e dançam.

Folha de S.Paulo · Folhinha

Bruno Molinero

18 de julho de 2024

A Folhinha dedica uma leitura extensa a ABCXYZ, relacionando o livro à poesia concreta, à Oulipo e à noção de obra “verbivocovisual”: texto, som e imagem funcionando simultaneamente.

O artigo observa como cada letra recebe um poema e uma solução visual própria, e como Daniel Kondo torce, espelha, inverte, destrói e reconstrói os caracteres para transformá-los em imagem.

“A ideia é que seja uma experiência, uma entrada no campo da poesia visual. É para sorrir enquanto lê.”

A reportagem também registra um ponto central do projeto: o livro não foi concebido como ferramenta pedagógica nem como exercício de alfabetização. O aprendizado pode acontecer, mas nasce do prazer do jogo.

Ler na Folha ↗

Reconhecimento & seleção

Da crítica literária à leitura institucional.

2025 · PUC-Rio

Prêmio Cátedra UNESCO de Leitura

Categoria Seleção. O reconhecimento da Cátedra UNESCO de Leitura da PUC-Rio situa ABCXYZ entre as obras destacadas de literatura infantil do período.

Registro · Agência Riff ↗

2024 · Quatro Cinco Um

Os Melhores Livros de 2024

ABCXYZ aparece na seleção anual de melhores livros da revista Quatro Cinco Um, dentro da votação de seus colaboradores.

Ver seleção ↗

2024 · Jornal de Letras

“Obra-prima da poesia visual”

Em sua edição de novembro, o Jornal de Letras apresenta o livro como uma obra que convida crianças, pais e professores a brincar com ritmos e sonoridades da língua portuguesa.

Jornal de Letras ↗

Lançamento

ABCXYZ n’A Feira do Livro.

02.07 São Paulo
A Feira do Livro · 2024

Sérgio Rodrigues e Daniel Kondo apresentam o livro no Palco da Praça.

O lançamento aconteceu em 2 de julho de 2024, às 19h30, na Praça Charles Miller, dentro da programação de literatura infantojuvenil d’A Feira do Livro.

Com mediação do jornalista José Orenstein, a conversa discutiu escrita para crianças, poesia visual, alfabetização, liberdade artística e a relação entre simplicidade e sofisticação.

Sérgio Rodrigues definiu o projeto como um jogo de linguagem profundamente ligado à língua portuguesa. Daniel Kondo destacou a possibilidade de o livro dialogar simultaneamente com leitores infantis e adultos.

Tipografia

Até o título precisou ganhar seu próprio alfabeto.

Tipografia Reco-reco criada por Daniel Kondo para ABCXYZ

Reco-reco.

Daniel Kondo criou especialmente para o projeto a tipografia utilizada na capa de ABCXYZ. A fonte recebeu o nome Reco-reco, em homenagem ao selo infantil do Grupo Editorial Record que publicou o livro.

A decisão sintetiza o princípio da obra: nenhuma camada gráfica funciona apenas como embalagem. Mesmo a forma das letras participa da brincadeira.

Ler sobre o processo ↗

Leituras & circulação

Um livro infantil ampliado.

Poesia visual

Texto é som. Imagem também é texto.

A leitura crítica escrita por Guilherme Gontijo Flores situa ABCXYZ em uma tradição de experimentação que passa pela poesia concreta brasileira e pela Oulipo.

O parentesco está menos em citações explícitas do que no método: estabelecer uma regra suficientemente forte para que dela surjam resultados inesperados.

Em Rodrigues, isso acontece pela restrição vocabular. Em Kondo, pela exploração gráfica do caractere. As duas operações deixam de ser paralelas quando palavra e imagem passam a depender uma da outra para existir.

Assim, o livro pode ser lido por uma criança que apenas entra no jogo do som e da forma ou por um leitor adulto interessado em poesia experimental. Nenhum dos dois precisa ocupar o lugar “correto”.

Imprensa

ABCXYZ em circulação.

Ficha técnica

Edição brasileira.

Título
ABCXYZ
Autores
Sérgio Rodrigues e Daniel Kondo
Texto
Sérgio Rodrigues
Ilustrações
Daniel Kondo
Concepção visual
Daniel Kondo
Tipografia da capa
Reco-reco · criada por Daniel Kondo
Publicação
17 de junho de 2024
Páginas
64
Formato
22,5 × 15,5 cm
Encadernação
Brochura · com orelhas
Idioma
Português brasileiro
ISBN
978-65-85954-08-2

Livro & arquivo

Onde encontrar.

ABCXYZ

O alfabeto não termina no Z. É ali que a brincadeira começa.

Sérgio Rodrigues e Daniel Kondo transformam a língua portuguesa em matéria sonora e visual: vinte e seis restrições que, em vez de limitar a criação, multiplicam suas possibilidades.

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